Serigrafia ou transfer: qual o melhor processo para personalizar chinelos?

Mais uma dúvida dos internautas. Você sabia que existem dois processos que podem ser usados para personalizar os chinelos? Qual deles é o melhor e porquê?

Ultimamente diversos usuários têm perguntado sobre a personalização de chinelos – mais especificamente, porque estão tendo problemas com imagens desbotando ou desmanchando no processo de transfer. Há algum tempo escrevi até mesmo um artigo falando sobre os perigos de se resinar seus próprios chinelos para transfer, pois essa parece ser a principal causa de problemas nos chinelos personalizados com esse processo.

Mas você sabia que além de poder personalizar chinelos com transfer, você pode também personalizá-los com a serigrafia?

O que é o transfer?

O processo de transfer (ou sublimação) é o processo mais conhecido para personalizar chinelos e vários outros produtos como canecas, camisetas, mouse pads, azulejos, bonés, pratos e diversos outros. Ele é popular porque permite personalizar estes objetos com fotos, desenhos multicoloridos e uma variedade de efeitos, e é um processo fácil de fazer: basta comprar alguns equipamentos, imprimir a matriz em papel sulfite, colocar na prensa e pronto.

Uma prensa térmica modelo plano. Com ela é possível personalizar chinelos e qualquer objeto plano.
Uma prensa térmica modelo plano. Com ela é possível personalizar chinelos e qualquer outro objeto plano.

No entanto para que o processo funcione é necessário que o produto a ser personalizado seja preparado previamente, num processo conhecido como ‘resinagem’. Na sublimação a imagem não é transferida diretamente para o objeto, e sim para esta camada de resina, que é capaz de segurar a tinta da impressão e produzir um objeto durável e que pode ser manuseado sem problema. Não é possível fazer o transfer em objetos que não tenham sido resinados previamente, e existem diversos objetos prontos para personalização, como canecas, mouse pads, azulejos, etc.

O que é a serigrafia?

A serigrafia é um processo de impressão muito antigo e muito versátil. O seu funcionamento é bem simples: a arte criada deve ser impressa em um papel transparente (papel vegetal ou transparência), gerando o chamado ‘fotolito’. Este fotolito deve ser impresso em uma impressora laser pois esta impressão precisa ter o máximo possível de opacidade, o que não é possível com uma impressora jato de tinta. Ele também pode ser produzido em gráficas que disponham de equipamentos próprios para fotolitos, chamados de ‘imagesetters’.

Com o fotolito em mãos é necessário fazer a transferência desta imagem para a tela serigráfica, num processo chamado de ‘gravação’. A tela é composta de um tecido especial, e depois de gravada funcionará como uma espécie de carimbo, em que você poderá aplicar tinta para realizar a impressão. E diferente do processo de transfer, a serigrafia pode ser executada sem a utilização de equipamentos especiais (como a prensa) pois é um processo artesanal.

Um conjunto de impressão em serigrafia. O quadro de madeira com tecido amarelo corresponde à tela serigráfica. Esta tela não possui nenhuma imagem porque ainda não foi gravada.
Um conjunto de impressão em serigrafia. O quadro de madeira com tecido amarelo corresponde à tela serigráfica. Esta tela não possui nenhuma imagem porque ainda não foi gravada.

Depois de gravada é possível ver a imagem na tela serigráfica. A parte colorida da tela (a cor varia de acordo com a emulsão utilizada) irá segurar a tinta que você irá aplicar, enquanto a parte branca (a imagem gravada) deixará a tinta passar, personalizando assim o objeto.

E qual dos dois é o melhor? Transfer ou serigrafia?

A resposta curta é: nenhum dos dois.

Transfer e serigrafia são dois processos de impressão que podem ser complementares. Cada um possui vantagens e desvantagens específicas. Certas coisas podem ser feitas com um mas não com o outro. Por isso, se você pretende abrir um negócio de personalização de chinelos (ou de qualquer outra coisa), pode ser interessante oferecer um dos dois, ou ambos. Eles também podem ser um diferencial em relação aos seus concorrentes.

Vamos analisar as vantagens e desvantagens de cada um destes processos.

Vantagens do transfer

  • Permite reproduzir fotos e desenhos complexos.
  • Não há quantidade mínima para personalização.
  • Pode ser produzido rapidamente – basta imprimir e prensar.
  • É possível personalizar cada produto individualmente – com um nome diferente, por exemplo.
  • Tem ótima durabilidade se o material usado for de excelente qualidade.

Desvantagens do transfer

  • É necessário usar equipamentos especializados: impressora com tinta sublimática e prensa térmica.
  • É necessário usar chinelos previamente preparados (resinados).
  • Não é possível personalizar chinelos fornecidos pelo cliente.
  • Pode apresentar problemas ou desgaste se o chinelo não tiver sido preparado (resinado) adequadamente.
  • Não é possível usar chinelos com topo com cores escuras. Deve-se sempre usar chinelos com topo branco e imprimir a cor de fundo na própria arte.
  • A produção de pedidos grandes pode ser muito demorada.

Veja neste vídeo como é feito o transfer

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=mN0XIuYpQuM]

Vantagens da serigrafia

  • Permite produzir pedidos grandes com rapidez. A serigrafia é o processo usado na produção industrial de chinelos como Havaianas, Ipanema e outros.
  • Não é necessário usar impressoras (exceto para produzir os fotolitos, mas isso pode ser terceirizado) ou prensas térmicas.
  • Processo artesanal e de baixo custo, não sujeito a defeitos em equipamentos (impressora entupida, prensa com defeito, etc).
  • Você pode usar qualquer chinelo ou outro material sem preparação (resinagem) prévia.
  • É possível fazer impressões usando tintas especiais como cores neon, tintas metalizadas, tintas com glitter, tintas com relevo, etc.
  • É possível personalizar chinelos com topo em qualquer cor devido a possibilidade de usar tinta branca.
  • É possível personalizar chinelos fornecidos pelo cliente.

Desvantagens da serigrafia

  • Não é possível reproduzir fotos, desenhos com degradês (com algumas exceções) ou detalhes muito finos.
  • A arte deve ser separada em suas respectivas cores, produzindo assim um fotolito e uma tela para cada cor.
  • É necessário imprimir uma cor por vez. No entanto isso pode não representar necessariamente um atraso na produção.
  • O custo de produção dos fotolitos e das telas serigráficas pode inviabilizar pedidos muito pequenos ou a personalização individual.
  • O custo final do chinelo pode, em alguns poucos casos, ser maior do que no transfer.

Veja neste vídeo como é feita a serigrafia

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=o0CxUN6udbo]

No vídeo acima o processo de serigrafia é demonstrado em uma máquina especialmente preparada para a produção de chinelos, no entanto a utilização desse tipo de equipamento é totalmente opcional. Ao contrário do transfer, não é obrigatório adquirir estes equipamentos. A serigrafia pode ser realizada simplesmente com uma mesa, a tela serigráfica e uma garra com dobradiça (para segurar a tela no lugar).

Mas e aí? Qual é o melhor?

Com as informações apresentadas acima, agora é você quem tem de decidir qual dos dois processos você pretende utilizar, ou se deseja oferecer ambos. Com as vantagens e desvantagens apresentadas acima é possível ver que existe espaço para ambos, e apesar da serigrafia ser um processo mais artesanal ele não é considerado ‘antiquado’ ou ‘desatualizado’ ao contrário do que certos vendedores possam lhe ter dito. O transfer é uma excelente opção para quem quer produzir chinelos rapidamente usando imagens complexas e de alta qualidade, e a serigrafia é uma excelente opção para quem quer oferecer produtos diferenciados para clientes exigentes, além de ser uma alternativa interessante para regiões onde há intensa concorrência nos chinelos de transfer.

Se você se interessou pelo transfer, basta comprar os equipamentos necessários. O processo não tem segredos (desde que se use materiais apropriados) e algumas lojas até fornecem videoaulas ou vendem kits completos contendo impressora, tinta, prensa e alguns produtos pra começar.

Se você se interessou pela serigrafia e deseja aprender mais sobre o processo, procure lojas fornecedoras de materiais de serigrafia (silk screen) ou de comunicação visual em sua região. Os atendentes destas lojas poderão lhe orientar melhor sobre o processo e tirar todas as suas dúvidas.

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